Ted Kacsynski publicou um livro que mais tarde ficou conhecido por Manifesto Kaczynski mas que inicialmente se chamava “A Sociedade Industrial e o Seu Futuro”, em que defendia que a sociedade teria evoluído numa direcção que não beneficia em nada o indivíduo.
Resumindo ao máximo ele explica como lhe parece que quase tudo o que parece beneficio da evolução tecnológica acaba por se transformar em elemento opressor. Dois exemplos fáceis seriam o telefone e o carro, que inicialmente seriam invenções que permitiam o contacto fácil e revolucionaram o transporte e comunicações entre as pessoas e hoje obriga a que estas mesmas pessoas percam entre uma e três horas a ir e voltar do trabalho, tenham disponibilidade para todo o tipo de deslocações imediatas e que estejam contactáveis numa base quase permanente e para todo o tipo de assuntos. Para encaixar na sociedade contemporânea é obrigatório ter carro, é obrigatório ter telefone, e vive-se pior do que antes destas coisas serem obrigatórias. Diz o Ted.
Numa série da Netflix acerca deste homem, que (ok tinha-me esquecido de dizer) decidiu promover a sua voz através do envio relativamente aleatório de envelopes explosivos e matou uma série de pessoas, este paradigma é demonstrado pela situação em que uma pessoa a conduzir de madrugada pára num semáforo vermelho, sem ninguém à vista, com boa visibilidade para todos os lados e com a certeza absoluta de que não aparece ninguém nem no seu caminho nem para monitorizar o trânsito no cruzamento. O carro chega, pára no silêncio e isolamento total da localização e hora, fica parado na calma absoluta da noite até que a luz mude a corzinha para verde, e depois vai à sua vida. Fá-lo sem pensar, sem questionar a lógica. Eventualmente espreita para um lado e para o outro, para certificar o que já sabe ser o seu isolamento total e a falta de sentido da cena, mas não avança no semáforo vermelho.
Nestes tempos de opiniões, conclusões, convicções, atitudes e protestos em carneirada, sem que a racionalidade ou lógica sejam questionadas, nunca o tema foi tão pertinente. Não digo que se vá por aí distribuír bombas aleatóriamente, mas um bocadinho mais de análise e espirito critico faz falta.
Odeio carneiradas.
Vamos falando...
Sem comentários:
Enviar um comentário